Trova de Mi Maior de Gavetão

    Suas origens indica para uma reminiscência galaicoportuguesa, denominada leixa-pren, que significa
larga-retoma devido à deixa da trova que subordina uma estrofe a outra .
Pergaminho de Pedro Videl,
Cantiga de Amigo,1201-1300
Já a palavra trovador provem da língua d’ oc, de trobaire (poeta), do verbo trobar (inventar, achar).
    A partir da separação entre o galego e o português se iniciará com a independência de Portugal (1185) e se consolidará com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota em 1385 dos castelhanos que tentaram anexar o país. 
    Entre os séculos XIV e XVI, com a construção do império português de ultramar, a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia, África e América. Com o Renascimento, aumenta o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega, tornando o português mais complexo e maleável. O fim desse período de consolidação da língua (ou de utilização do português arcaico) é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.
A Trova que passou a pontilhar na Literatura de Espanha e Portugal, propagou-se pelos países da  América Latina.
Americo Balaan
    A Trova de Mi Maior de Gavetão, chamadas pelos mais antigos de pouquinha de cantar, queromanas e toadas, é uma poesia em sextilhas ou seja é uma estrofe com rimas deslocadas, com  versos em redondilha maior, constituída de seis linhas, ou seis versos de sete sílabas alternadas no 2°, 4° e 6° verso, de improviso criadas de forma espontania no momento de sua apresentação e realizada em desafio por dois cantadores acompanhados por músicos na maioria das vez um gaiteiro|acordionista. 
No que diz respeito a estrutura musical do acompanhamento esta da seguinte forma:   Os primeiro 4 compasso de introdução, 12 compassos de interlúdio entre as estrofes (A-B-A-B...) mas isso pode varias se as estrofes estiverem dividias em 4, será necessario 8 compassos. O nome Mi Maior provem do arpejo melodico que se inicia em Mi Maior e percorre toda a escala da Tonica. Cada gaiteiro tem um genero diferente em tocar mais quase sempre em xote, o andameneto(lendo ou rapido) vai depender do trovador. A improvissao no meio das estrofes fica livre para o istrumentista, desde que nao interfira no imprviso do trovador.
    Geralmente, se inicia com uma saudação; passa pelo assunto e pelo puaço, espécie de agressão verbal; e termina com a despedida. O trovador deve ter habilidade técnica, destreza de pensamento, resistência e disponibilidade para o jogo. O assunto toma consistência até esgotar um dos desafiantes, que propõe o verso de despedida, sendo seguido pelo cantador vitorioso. Os temas da saudade, das valentias do gaúcho sobre cavalos, dos “causos”, da viola e da gaita. Com as carreteadas e tropeadas, a prática da trova passa a acontecer entre peões de diferentes estâncias, correndo no anonimato. 
Para, Paulo de Freitas Mendonça a cultura da trova esta na histocira da cultura gaucha desde sua origem: 

O repentista histórico é o andejo ou gaudério que surge na origem do gaúcho (ou el gaucho). Cruza os campos em busca de lonjuras, quando no sul da América as fronteiras são imprecisas. Até que provem ao contrário, justifica-se sua presença em terras, hoje brasileiras, do mesmo jeito e no mesmo período em que, em uruguaias, argentinas e chilenas. Da mesma forma que afirma o pesquisador argentino Abel Zabala, que o pajador constitui o arquétipo da identidade rio-pratense, pode-se dizer que o pajador é a própria identidade cultural do gaúcho brasileiro, muito bem retratada no personagem Capitão Rodrigo de Érico Veríssimo, em O Tempo e o Vento. Um dos indícios de que não se pode impor uma fronteira para o pajador é a semelhança cultural entre gaúchos brasileiros, uruguaios e argentinos. O próprio Martin Fierro, uma referência do cantor gaúcho, andejo e pajadoresco, escrito por José Hernandez nestas três nações, não identifica diferenças. Sabe-se que no ciclo do gado chimarrão o sul da América é disputado por índios, espanhóis e portugueses. Os cruzadores de campos vivem a cantar seus cotidianos e passam a improvisar aleatoriamente suas vivências, tornando-se os primeiros jornalistas xucros destes campos largos povoados por analfabetos (MENDONÇA, PAULO DE FREITAS, 2008, Blog Gildo de Freitas) 

A trova, forma mais popular de improviso. Possui três estilos, Campeira (Mi Maior de Gavetão), Martelo , Estilo Gildo de Freitas e a Trova em Milonga, alem do  Oi-La-Rai e tira-teima (tira-cisma). 

Referencias:

BIANCELANA, Gisela  A performance da trova gaúcha tradicionalista enquanto elemento da cultura popular brasileira. Santa Maria, 2007.

GARCIA.M.R, Rose A trova e a decima do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1990.

ALVES.D.V,João  O improviso no Rio Grande do Sul (Payada e Trova: Raízes, Tronco e Ramagens). Porto Alegre, 2018.

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