quarta-feira, 27 de abril de 2011

José de Almeida Corte Real

Jovem, rico e frequentador dos salões, era o oficial de mais fino trato do exército farroupilha, do qual era coronel já aos 27 anos. Cunhado de João Manoel de Lima e Silva, que casara com sua irmã, Maria Joaquina, era também amigo de Bento Gonçalves e Netto.
Lutou pela Integridade e Soberania do Brasil na guerra Cisplatina 1825-28 como cadete do antigo e legendário Dragões do Rio Pardo e então 5o Regimento de Cavalaria Ligeira. E, com ele, lutou em Passo do Rosário ao comando do Cel Felipe Neri de Oliveira, em 20 de fever
Na Revolução Farroupilha participou com ardor, valentia, dedicação e solidariedade ao lado de seus amigos Generais João Manuel Lima e Silva (seu cunhado), Bento Gonçalves e Antonio Netto. Por seu singular cavalheirismo impôs-se à estima e consideração gerais, causando grande consternação seu desaparecimento, em ação, próximo ao arroio Velhaco, em Camaquã, em 18 de junho de 1840.

Corte Real foi preso pelo Ten. Manoel Osório

No ataque ao coronel Corte Real comandou a vanguarda o tenente coronel Silva Borges e os seus dois filhos José Luiz Osório e Manoel Luiz Osório, ambos tenentes. O último nesta ação teve o seu cavalo baleado. Segundo contou Fernando Luiz Osório:
"Corte Real, homem elegante e de porte, apresentou-se em combate montado em garboso cavalo, ricamente azaezado e ostentando nos arreios custosos favores de prata. Sendo rodeado por um grupo de legalistas ao mando do tenente Manoel Luiz Osório, dispunha-se a morrer peleando, quando o tenente Osório adiantou-se e bradou-lhe:
- Renda-se, patrício, entregue-me a espada que eu lhe garanto a vida!
Corte Real rendeu-se ao irmão de Osório, que o prendeu e desarmou. Foi neste momento que um soldado legalista aproximou-se sorrateiro do cavalo montado por Corte Real, com o fito de cortar um estribo de prata do valente chefe farrapo. Este ao pressentir a intenção do soldado o chutou no queixo arremessando-o no chão."
Foi enviado preso para a cidade de Rio Grande pelo capital Mazzaredo que comandava, ao iniciar a Revoluçâo o 2o RC de Bagé, quando foi conduzido até a fronteira, são e salvo, pelo tenente Osório que aderira à Revoluçâo no seu início.
Enviado ao Rio de janeiro, lá esteve preso na Fortaleza de Santa Cruz até conseguir evadir-se, em l1 de março de 1837, depois de quase um ano de prisão segundo contou Caldeira que lá estava.
Foi Ministro do Interior da República em Piratini, tendo como 1o escriturário nosso bisavô José lgnácio Moreira Filho que veio a ser o primeiro serventuário de justiça no município de Canguçu, ao ser criado em 1857, quando Presidente da Província Jerônimo Coelho, que era Ministro da Guerra do Império, por ocasião da Paz de Ponche Verde.
Ignácio era irmão de Serafim que exercia as funções de 1o Escriturário do Ministério da Guerra e, ao que consta, sobrinhos de Domingos Moreira, Presidente da Câmara de Vereadores de jaguarão, a primeira a aprovar a República Rio-Grandense, proclamada depois do combate do Seival - 11 de setembro de 1837. Corte Real participou de diversas ações como em Seival. Foi morto numa emboscada imperial no arroio Velhaco atingido por duas balas, no momento em que adentrava o corredor da casa da fazenda de Marcos Alves Pereira Salgado, no local conhecido por Barba Negra, no dia 11 de junho de 1840. Possuía 31 anos.
Acreditando tratar-se da força de Antonio Netto, só identificou, tarde demais, tratar-se de uma força imperial destacada por Chico Pedro e ao comando direto de João Patrlcio de Azambuja.
Sua morte causou consternação geral, até entre imperiais. Seguia ele seu cunhado João Manoel, 3 anos antes tocaiado e assassinado, inerme, com requintes de perversidade, em São Borja.

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